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segunda-feira, 22 de agosto de 2011

CORRENDO COM SAÚDE



Ultimamente venho observando a incidência de algumas lesões na corrida de rua; Síndrome da banda iliotibial, fascite plantar, bursites, lesões tendíneas, musculares e articulares tornam-se cada vez mais comuns na rotina do atleta amador ou profissional. Uma visão como Educador Físico, Fisioterapeuta e atleta amador me faz questionar tal incidência, levando-se em conta aspectos que deveriam “remar contra a maré” e caminhar no sentido de uma melhor qualidade de vida, diminuição nas lesões e melhora da performance.
Se por um lado o número de praticantes da modalidade aumentou consideravelmente, podemos dizer o mesmo em relação ao acesso a informações e profissionais da área, ao avanço técnico e científico que envolve a modalidade, tanto no que tange ao treinamento propriamente dito, como na qualidade dos materiais oferecidos para esta prática. Como pode com toda essa “evolução” (tênis de última geração, roupas em tecidos tão leves, no pulso verdadeiros computadores de bordo capazes de marcar batimentos cardíacos, velocidades, distâncias, gasto energético..., inúmeras equipes de assessorias esportivas contando com médicos, fisioterapeutas, nutricionistas, educadores físicos e o que mais for preciso), as pessoas adquirirem lesões em cima de lesões em uma das modalidades esportivas mais seguras e naturais, pois correr pertence à nossa natureza.
Ao meu ver, três aspectos podem diminuir drasticamente estes índices, deixando apenas esporádicas eventualidades como responsáveis por traumas e lesões na corrida:
1º. Uma avaliação física precisa;
Nesta etapa o praticante passará por uma detalhada anamnese (questionário), avaliação dos sinais vitais (freqüência cardíaca, respiratória e pressão arterial), avaliação da composição corporal (peso, estatura, % de gordura e % de massa magra), testes que indicam sua aptidão física em relação à resistência, flexibilidade, força e condição cardiorrespiratória, e uma avaliação postural estática.
2º. Análise técnica na dinâmica da corrida;
Está é uma das etapas mais negligenciadas durante a prática da modalidade, e talvez a principal responsável pela diferença entre correr e “sair correndo”. Nesta etapa serão avaliados aspectos posturais e biomecânicos com o praticante em movimento executando a corrida à sua maneira.
3º. Uma periodização coerente e fundamentada;
Esta é a última etapa antes do praticante iniciar suas atividades. Munido dos resultados das duas avaliações anteriormente citadas, o educador físico, devidamente capacitado a trabalhar com a corrida, lança mão de todos os atributos metodológicos e científicos, planejando as etapas de treinamento de acordo com o objetivo traçado e a freqüência semanal de treinamento.
Cumprindo estes protocolos, o praticante estará ingressando à modalidade com  respaldo profissional que o capacita a desenvolver a corrida de maneira segura e apto a alcançar seus objetivos sem “contratempos” perfeitamente evitáveis. A avaliação física diagnosticará aspectos físicos, fisiológicos e posturais que além de auxiliar as próximas etapas pode liberar, retardar ou até impedir a pratica da corrida. Na avaliação dinâmica, até aspectos satisfatórios da avaliação estática podem não ter a mesma eficiência durante o movimento, por exemplo: após uma avaliação postural estática favorável, a mecânica da corrida pode favorecer a incidência de um desvio postural e/ou uma ação muscular não desejável. Passando por estas duas fases, o profissional gabaritado deve planificar o treinamento de seu “atleta” respeitando os princípios do treinamento, a individualidade de seu aluno e acima de tudo seu objetivo, e o aluno poder desfrutar todo o prazer físico, social e psíquico proporcionado pela corrida sem a terrível companhia das lesões.

Sandro Rodrigues, M. Sc.
Profissional de educação física e Fisioterapeuta
Treinador VO2Pro

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